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Um Novo Mundo

  • A divisão política, econômica e ideológica do Mundo são fatores fundamentais nas relações internacionais. O início do fim dessa divisão pode ser o resultado das relações além fronteiras. A Ordem Mundial renova-se a cada dia, marginalizando, derrubando, questionando antigas fronteiras, oferecendo horizontes nebulosos, onde a técnica para sobrevivência é privilégio de poucos... Serão limites intransponíveis?
    Ao buscar tais respostas, verifica-se que a História oferece um vasto campo de experiências, de fatos consolidados em prol do crescimento econômico, comercial e político entre as nações. A violência é um atenuante nesses confrontos comerciais e tecnológicos, dando rumos diversos e indefinitamente caóticos à sociedade. O Capitalismo é absorvido diferentemente por cada nação, o multiculturalismo e a globalização com o papel de abarcar essas diversidades e com o papel de responder categoricamente ao nível exigente, restam poucas possibilidades de estratégias, dentre elas a que tem mostrado bons resultados, apesar das divergências, sem dúvida nenhuma é a formação de Blocos Econômicos, são eles que dão corpo ao ultrapassar fronteiras. Trata-se de um assunto bem atual, é uma forma de pensamento que cabe ao momento em que passam os países da América Latina, que há muito vem organizando e sugerindo a nova Ordem Mundial. É um meio eficaz para o desenvolvimento do comércio internacional. No entanto grandes conflitos despertam do sono o monstro adormecido:"Nada seria mais perigoso do que o universo em que a globalização rimasse com unifomização". (Lionel Jospin)

    A formação de blocos pode ser uma forma de encadernar todas as páginas desse diário insuflado com 3 Revoluções Industriais. O individualismo distorce a motivação, a relação homem x natureza, a ética e muitos outros fatores são relações desconhecidas com preparo por parte de poucos. O caminho está aberto para o momento de igualdade e liberdade, descentralização de poderes, redistribuição de esforços: "O Estado continua bem presente na realidade contemporânea, mas novos sujeitos internacionais coletivos escapam de suas garras e estabelecem redes próprias de comunicação" (Dr. Paulo Edgar Almeida Resende) Contudo, é preciso cautela com relação a essa Nova Ordem mundial, pois da mesma forma que se agrupam culturas e objetivos diferenciados, igualmente pode-se destacar às diferenças, o que resultaria em exclusão dos diferentes, acima de tudo deve-se ter objetivos humanitários claros. Isso não quer dizer que estão isentos de mudanças, complicações, dúvidas, desentendimentos etc. Como disse o filosofo: "O real concreto está sujeito à múltiplas determinações" (Karl Marx) O Powershift, de Alvin Tofller, sugere que em uma economia baseada no conhecimento é essencialmente diferente de uma sociedade baseada no controle da riqueza material: o conhecimento passado para outra pessoa é compartilhado, enquanto os bens materiais pertencem a uma ou outra pessoa. Neste sentido, abre-se a possibilidade da construção de uma sociedade democrática, estruturalmente mais igualitária, onde deve ocorrer a troca de poder. Este é o ponto onde se inicia o trabalho de mudança, deve-se acompanhar o trabalho e desenvolvimento de tudo o que o pode resultar em novos rumos.

    O Mercosul é uma realidade econômica de dimensões continentais. Um dos principais pólos de investimento do Mundo, com vastos recursos naturais, um setor industrial dos mais importantes dentre os países em desenvolvimento. Apesar de todas as suas características positivas o que não o deixa decolar rumo ao crescimento? Serão outras forças mundiais? Por que são os países menos favorecidos economicamente corrompidos, explorados, colonizados por mentes tão engenhosas e exploratórias? Vivemos em um contexto globalizado, regionalizado, com um multilateralismo econômico, um protecionismo em demasia em alguns campos de atuação do mercado, negociações além fronteiras. O Brasil conhece suas riquezas?

    No ínício, em 1994, com o objetivo de eliminar as barreiras alfandegárias entre os 34 países americanos (exceto Cuba), a área de Livre Comércio das Américas (ALCA) tende a se lançar na intimidade da econômica, da política, do social e de Mercado dos Países que se dispõem a atuação. No entanto, para o Brasil e seus parceiros do Mercosul, as dificuldades de adaptação de suas economias a essa integração são muitas. Propostas de educação, direitos humanos, a criação de um Comitê de Negociações Comerciais, o que mais pode-se esperar? Qual o interesse no fato do Brasil dividir a presidência da ALCA com os EUA? São questões que precisam ser refletidas. Como mencionou Aléxis de Tocquiville (1805-59) em seu livro Democracia na América: "Os Estados Unidos são, ao mesmo tempo, objeto de sedução e símbolo universal de um Novo Mundo em formação". Os EUA, que no passado era uma promessa de um Novo Mundo, trouxe com o novo o desconhecido, chegamos ao ponto onde: "Vivemos num tempo em que nossas únicas necessidades são as coisas desnecessárias". (Oscar Wilde) Para o homem, os requisitos essenciais compreendem apenas ao seu "nível de subsistência", os ingredientes básicos em termos de comida, abrigo e roupas necessárias para suportar a vida. Mas o que faz do homem humano é algo além de suas necessidades puramente "animais". "Darwin chamou nossa atenção para a história da tecnologia da Natureza".(Karl Marx, O Capital). Hoje o Mundo e chamado para a história da tecnologia para autodestruição, à distorção dos objetivos do desenvolvimento tecnológico para a vida do homem. Ditadores de uma Nova Ordem Mundial confrontam-se em grandes guerras, terrorismos, a indústria bélica agradece e a indústria da fome também. O Socialismo Soviético resistiu até que se provou que acumular riquezas e administrar recursos naturais alheios com uma tecnologia comprada, oferece melhores condições de vida e colabora para uma seleção natural em favor de uma raça pura. "A Fortuna é sempre favorável a quem deseja agarra-la. Oferece-se como um presente a todo aquele que tiver ousadia para dobra-la e vencê-la" . (Maquiavel) Com esse pensamento de Maquiavel, constata-se a inauguração da idéia de valores políticos medidos pela eficácia prática e pela utilidade social, deixando de lado todo e qualquer padrão que regula a moralidade privada de cada indivíduo, a quem se dispõe a lutar em favor da fortuna.
  • Ulisses Faria

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